“Se deseja um trabalho bem feito, escolha um homem ocupado; os outros não têm tempo.”
(Benjamin Franklin)
Não foi por acaso que Ben Franklin chegou à presidência dos Estados Unidos, obviamente. Ele sabia o que dizia (e o que fazia também). Atentemos na frase. Alguém tem a coragem de contrariar?
A competência é uma qualidade estupenda! Os bons profissionais facilmente se destacam. E a sua competência é tão óbvia que, quando toca a distribuir tarefas, ninguém hesita em atribuir-lhes as mais complicadas e exigentes. Porquê? Porque os competentes, os bons profissionais dão conta do recado. E, por darem conta do recado, são os que estão sempre ocupados, mas ainda assim conseguem fazer sempre mais alguma coisa.
Ontem, estive numa repartição pública. “Ó céus! Ó tortura!”, pensarão vocês. Eu também pensei, quando soube que lá tinha de ir. Mas, ou porque os serviços estão a melhorar, ou porque eu sou muito boa pessoa e mereço (gosto desta justificação), ou, simplesmente, porque ainda há gente competente, a verdade é que, além de conseguir resolver o problema que me levara lá em primeiro lugar, ainda tive a sorte de ser atendida por uma senhora extremamente simpática e prestável, com um sentido de humor fora do comum. Claro que ser simpática e competente traz-lhe, por certo, dissabores, como, por exemplo, ter sempre gente a pedir-lhe, por favor, para ver isto ou aquilo, para ver se resolve esta ou aquela situação, se não se importa de tratar deste ou daquele caso…
A competência e o profissionalismo costumam dar nisto. Excesso de trabalho. Pode servir de consolo pensar que é assim porque se faz um bom trabalho, o que leva quem precisa a não confiar em mais ninguém. Mas a verdade não é tão colorida. Podem não confiar em mais ninguém, mas a verdade é que abusam e sobrecarregam uns de trabalho, enquanto outros enchem chouriças…O pior é que, quando se chega a um ponto em que se tem de reconhecer o mérito a alguém, raramente os competentes são aqueles a quem se reconhece o mérito. E porquê? Porque os bons profissionais trabalham na base do cumprimento do seu dever e não encaram como satisfatório um qualquer trabalho em que não deram o seu melhor, em que não se aplicaram a sério. São bons trabalhadores, mas de bastidores. Os outros, os que andam sempre na sua sombra, seja porque são sornas e não gostam de trabalhar, sejam porque, pura e simplesmente, não são minimamente competentes, são os que dão a cara, os que aparecem, os que querem ser vistos e notados. E é a esses que, por norma, é reconhecido um mérito que, na verdade, não existe.
Em todos os locais de trabalho há competentes e incompetentes. Sempre assim foi, sempre assim há-de ser. Assim como sempre houve bons e maus líderes. E, muitas vezes, perdem-se excelentes oportunidades de fazer obra, de fazer a diferença, porque ou não há competência da maior parte do grupo de trabalho, ou não há competência por parte de quem o lidera. E boas ideias e bons projectos caem no esquecimento, não por falta de vontade de os levar para o terreno, por parte de quem é competente e quer trabalhar, mas por falta de interesse e de empenho de quem tem a última palavra a dizer para que eles avancem realmente para o terreno.
Infelizmente, constato que, por muito que queiramos acreditar no contrário, nesta nossa sociedade, cortam as asas aos visionários, que, apesar do entusiasmo inicial, no momento em que se lançam no desenvolvimento de um projecto, acabam por ter de abandonar as suas ideias e deixar para trás os sonhos. Porque quem mais poderia fazer para que houvesse sucesso não quis saber, não acreditou ou não tem competência para saber distinguir o bom do mau trabalho.
Enfim, isto sai numa espécie de desabafo. Resta acreditar que, como dizia uma borboleta há dias, não conseguem cortar as asas àqueles cujas asas não param de crescer…
6 ideia(s) solta(s):
De forma geral, concordo com esta tua divagação muito bem explanada. De facto a competência é uma característica muito subestimada neste país.
Mas digo-te uma outra coisa: a pessoa competente nunca tem trabalho a mais, nunca é sobrecarregada. Porquê? Porque é franca e realista e sabe o que vale.
Por outro lado, não há bons e maus líderes. Há líderes e gestores. Sabes bem a diferença entre um e outro.
:) A borboleta não podia concordar mais contigo ;)
@Cirrus
Sei a diferença, sim. Mas, então, prefiro falar dos que sabem liderar e dos que nem sequer se esforçam por fazê-lo.
De resto, tem razão. Os competentes são realistas e sabem o que valem.
@Borboleta
Eu sei. ;)
Encontrei o seu canto através do Cirrus.
Perdoe-me a invasão mas tem aqui um blogue muito interessante.
E somos quase vizinhos!
Cumprimentos.
@Nuno Oliveira
Não é invasão nenhuma. Seja bem-vindo quem vier por bem! Agradeço a visita.
Quase vizinhos, de facto. :)
Cumprimentos
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