Outubro 06, 2011

Do Amor e outros... diabretes

Penso que todos passamos por uma altura na vida em que acreditamos piamente que o Amor existe de verdade e é cor-de-rosa. As meninas, pelo menos, acreditam, não fossem os séculos de contos de fadas que nos impingiram! Depois, o tempo passa, as pessoas crescem e, se tudo correr bem e não deixarem de se questionar, de reflectir, de interrogar a própria vida, chegam à conclusão de que, afinal, o Amor, ainda que exista, não é assim tão cor-de-rosa. Nem de perto, nem de longe. Às vezes, chega até a ser negro, escuro como breu! Ainda assim, parecemos não ser capazes de viver sem ele. Pelo menos, durante muito tempo…

Voltando à notícia da senhora de 85 anos que perdeu o juízo… O que levará uma pessoa com essa idade a querer casar-se? Será apenas para não partir deste mundo sem saber o que é o casamento? Será o medo da solidão? Será a força cáustica do Amor que, quando surge em grande, arrebata todo e qualquer um? Ou será simplesmente senilidade?

Se fizermos uma busca no Google® acerca de relações complicadas, podemos ficar assustados com a gigantesca oferta de sites para consulta. Porque, de facto, é isso mesmo que as relações são: complicadas. Não as relações em si, mas as pessoas. Porque são pessoas, porque são humanas, porque são diferentes. E só o facto de serem diferentes dita que, muitas vezes, as relações não funcionem. Pelo menos, não para sempre…
Ontem, num momento de zapping, já a altas horas, parei uns instantes num filme que passava, se não estou em erro, na TVI (só mesmo em zapping ia lá parar…). Assim, de repente, eis o pensamento condensado em meia dúzia de frases: não há uma pessoa ideal, não há uma alma gémea; simplesmente, quando chegamos à fase de querer assentar e constituir família, acreditamos que a pessoa com quem estamos é a alma gémea, quando, na verdade, tudo passa por uma mudança em nós mesmos… E fiquei com aquilo na cabeça… Não será realmente assim?
O Amor, dizia Miguel Esteves Cardoso, é uma bosta! Não exactamente por estas palavras, mas a ideia estava lá. E é uma bosta porque nos atira para um sofrimento estúpido, levando-nos ao ponto de querer ver a outra metade a sofrer só pelo que nos fez sofrer também. (Somos humanos, não somos perfeitos…) Mas, depois, lá vem o Mestre Tempo, com a sua calma e a sua bondade, mostrar-nos que os encontros e os desencontros fazem parte da vida. E que as pessoas que passam pela nossa vida enriquecem-nos. E que há muitas formas de amar. Porém, apenas uma fará sentido para que alguém decida juntar os trapos: a loucura! Não a loucura que vem com a idade e a falha dos neurónios, mas a loucura que faz viver cada momento com toda a felicidade possível. Só assim o Amor faz sentido. E só assim faz sentido para toda a vida. A questão é: será possível?

(E agora compreendo o casamento da senhora de 85 anos: “até que a morte vos separe”… já não faltará muito tempo, aguenta-se!)

0 ideia(s) solta(s):