Dezembro 13, 2011

Não consigo pensar num título para este post. E que diferença faz? Vá, não sejam picuinhas!

Estou triste. Na verdade, estou muito triste… Com a alma dilacerada e sem força sequer para rastejar. Não sei se voltarei a ter força para me erguer novamente e enfrentar a vida com um sorriso... Então não é que a crise terminou e ninguém me disse nada?!
Estas situações são indescritíveis, tal o aperto que nos deixam no coração. Meses e meses de discursos verdadeiramente ridículos, que nada mais revelam a não ser incompetência; de troikas e baldroikas que nos apertaram o cinto até não conseguirmos comer mais do que dois grãos-de-bico e uma almôndega feita de restos de carnes comprados no talho a preço reduzido; de choninhas e morcões que arranjaram todas as desculpas possíveis para me cortarem no subsídio de Natal (e não, eu não ganho muito: sou técnica superior das AECs, não sou professora do quadro no oitavo escalão - e esses deviam ter vergonha quando se queixam do salário que ganham, eles e todos os profissionais que não imaginam o que é viver com um salário mínimo…) e levarem já o do próximo ano, juntamente com o de férias; de subidas de impostos e de taxas moderadoras (falta o artigo na Constituição a proibir-nos de ficarmos doentes e irmos ao médico - e depois o aumento do desemprego na área da saúde); de merdas e mais merdas que ninguém entende e que são tão neutras que nem sequer têm cheiro; enfim, de uma série de borradas absolutamente incompreensíveis… e, de repente, a crise não existe!
Acredito que fiquem estupefactos. Eu também fiquei e não é motivo para menos. É que não há sequer uma explicação plausível para termos sido tão monstruosamente defraudados. Por muito que tente e me esforce (e olhem que sou uma pessoa teimosa e esforçada), não consigo compreender. É certo que ao longo da minha curta existência me fui habituando a não teimar em compreender determinados acontecimentos, porque os mesmos são, pura e simplesmente, absurdos. Mas mesmo absurdos. Assim mesmo, mesmo, mas mesmo, mesmo absurdos. Absurdos assim… absurdos, estão a ver? Pois, isso, absurdos. Como tal, considerei, primeiramente, que se trataria também de um acontecimento (um extraordinário acontecimento, que merecia ter data marcada no calendário para todo o sempre) que não poderia ser entendido. Pelo menos, não por uma mente tão pequenina como a minha, que isto é algo de gigantesco!
Por esta altura, estarão já a pensar que a moça enlouqueceu de vez. Se calhar foi de andar a trabalhar com colas e tintas nas últimas horas. Inspirou aquilo e pumba! queimou dois ou três fusíveis! Sim, é possível que pensem algo assim parecido. Não vos censuro. Contudo, passo a explicar, para que possam compreender que, embora exista realmente a possibilidade de dois ou três fusíveis se terem queimado, a razão da minha indignação é perfeitamente compreensível.
Ora, após meses e meses (que pareceram anos e anos) a levar com a porcaria da crise a toda a hora, eis que chega a época de Natal e a Liliana vai, por necessidade, a duas ou três superfícies comerciais em três dias seguidos (não tenho culpa de me esquecer de algumas coisas - devia anotar, eu sei, mas poupem-me o sermão) e eis que é assaltada por uma das maiores surpresas da sua vida: AS SUPERFÍCIES COMERCIAIS ESTÃO APINHADAS DE GENTE A FAZER AS HABITUAIS COMPRAS DE NATAL!!! A tragédia, o drama, o horror! A rapariga, tão ingénua, a pensar que, finalmente, o consumismo desenfreado da época natalícia iria abrandar, ainda que não pelos motivos desejáveis, e leva assim com um balde de água fria! E ela que, optimista como sempre, já imaginava os paizinhos a pouparem nas prendas para os meninos intocáveis, explicando aos últimos que não podem ter brinquedos a preços exorbitantes e que é importante dar valor às pequenas dádivas da vida. Seria um momento tão oportuno para o fazer… E pum! pega lá uma bofetada da vida, para perceberes que é preciso muito mais do que uma crise para que ocorra uma pequenina mudança na mentalidade dos teus compatriotas…

Crise?! Mas quem é que tem moral para falar de crise? Se eu acreditasse no Pai Natal, este ano escrevia-lhe um telegrama: “ACORDA-OS STOP”.

3 ideia(s) solta(s):

Cirrus disse...

Eu. Eu tenho.

Os números não confirmam isso... Pelo contrário...

Liliana Sampaio disse...

@Cirrus
Os números indicam que os portugueses levantaram menos dinheiro este ano do que em igual período do ano passado, mas não indicam que os portugueses deixaram de gastar o que não têm.
Quanto a si, é evidente que tem moral. Isso não é novidade e é por demais evidente.
De resto, o que tenho visto é o mesmo de sempre: toda a gente muito preocupadinha com as comprinhas de Natal para toda a gente. Mesmo que gastem menos, é uma treta. Que se deixem mas é de merdas e mandem o consumismo abaixo de Braga, que, nesta altura do ano, é o que mais me chateia - e não é só de agora!

Cirrus disse...

15% menos de compras julgo que é bastante elucidativo. E há uma coisa que nunca podemos esquecer - há portugueses que podem gastar dinheiro, porque o têm. E haverá sempre.